Uma história real
- 13 de ago. de 2024
- 5 min de leitura
Atualizado: 22 de ago. de 2024
Parece mentira, mas é real a história que irei contar.

Era um dia de domingo, de sol que iluminava a Lagoa Rodrigo de Freitas. Eu procurava fazer esta caminhada dando uma volta inteira na Lagoa. Era mês de abril. Neste dia, resolvi deixar o porta niquel e a garrafinha no carro, seguindo apenas com o fone de ouvido e a chave do carro.
Neste dia não consegui dar a volta na Lagoa. Mas corri, caminhei, parei bem antes do meio do caminho e sentei num dos banquinhos. Ali eu meditei, contempei o verde, os passaros que voavam, as aves no gramado. Mas meu pensamento estava voltado para o meu filho e no meu cachorro. Na saudade que sentia deles. Na culpa por estar ali e não com eles, apoiana vida que estava oferecendo ao meu filho e cachorro... Eu ia para a Lagoa caminhar com bem menos frequencia depois que ficamos sem nossa casa. Não queria deixa-los na atual situação que estávamos sem um apoio emocional diario. Queria retornar. Para estar ao lado e protegê-los. Esse era o meu sentimento.
Ja estava retornando, quase vinte minutos andando, perto de chegar no carro quando dei a falta da chave. Cadê a chave? Ansiosa, retornei o mesmo caminho, desta vez ohando atentamente para o chão. Cheguei no banco que havia sentado, após de menos de vinte minutos de caminhada corrida, pois estava com pressa de encontra-la. Nada. Não é possivel. Perguntei a cada treler que encontrava no trajeto. Vai que alguem encontrou e deixou nos estabelecimentos para facilitar. Nada. Já estava chegando quase perto do carro de novo. Nada. Voltei mais uma vez o trajeto. Já estava ofegante da corrida, da falta d'agua, da preocupação, do tempo. Desta vez bem devagar, olhando cada pedaço do chão que eu poderia ter deixado cair, eu voltava ao trajeto percorrido. Cada local de grama que eu poderia ter passado. No vai e vem estava emocionalmente cansada, com muita sede, já havia pensado como retornaria para casa pedindo passagem de onibus no ponto ou talvez solicitando o motorista. Pensei em todas as possibilidades. Eu sofri naquele momento ao pensar nisso. Ali vivi o sentimento de forte humildade, em reconhecer que precisava desse tipo de ajuda, falar com desconhecido para contar a minha historia do momento, mas nao me demorei no orgulho. Cheguei a perguntar, por que preciso passar por isso, Senhor? Mas fui rápida em decidir. Nao tinha outra forma. Estava imaginando chegar na casa de minha mae, ter que pegar chave reserva e sair de novo. E pensei que não queria dar satisfação disso, e ouvir reclamações sobre meu tempo e se ouvisse a verdade iria criticar porque saí, é melhor nao sair do lugar para nao correr nenhum risco de errar... Mas antes disso pensei: Deus, por que isso acontece comigo? Não estou acreditando nisso. Ainda ter que sair daqui de ônibus para chegar ate a casa de minha mãe muito distante, onde uma só passagem nao será suficiente. Que onibus pegar? Bem, vou conseguir as passagens porque uma coisa é certa. Todos vão acreditar na minha historia.
Nisso, eu nao parava de andar e procurar. As lágrimas já caiam. Eu pensava. Vou sair daqui agora, por volta das 10h30, chegarei na casa de minha mae umas 12h30 ou mais e ainda retornaria para abrir meu carro com a chave reserva. Aff. Lá pelas 16h estarei em casa com o carro. Que dia!
Voltando a caminho do meu carro, eu parei de frente a Lagoa. Olhei para o céu, meus olhos encheram de lágrimas e perguntei a Deus: Meu Deus, o que quer que eu faça? Por que isso acontece? Eu sei que o Senhor quer me dizer algo. Depois de um tempo olhando para o nada eu continuei a conversa: É a biblia que ainda nao comprei, não é? É isso não é? Sei que é.
Eu queria no mês de fevereiro, uma biblia. Algo tocou em meu coração que precisava comprar a biblia. Eu queria uma biblia que havia encontrado num site, mas ainda nao conseguia comprar. Não era nada demais o valor. Mas eu achava que ia fazer muita falta se pagasse pela compra. Nem sabia escolher muito sobre biblia, mas escolhi uma pela capa da virgem maria com menino Jesus. Eu olhava fixamente a imagem e queria muito aquela biblia. O valor com o frente estava ultrapassando minhas possibilidades entao deixava sempre para um mês depois e depois. A minha escassez gritava. O medo de piorar a situação de falta . Já nao tinha casa, nao tinha minhas coisas, submeti meu filho a tantas perdas. A falta de proteção do ex -marido sobre nossa familia. Os problemas, a escassez de minha mae que sempre era argumento maior que qualquer outra vida e que alguem tinha que salvar... Eu lutava para aumentar minha frequencia energética do amor e gratidão. Mas ainda era quase impossivel. Eu buscava muita força positiva naquele momento. Eu buscava alternativas mas sempre pensava, "não posso fazer este gasto, agora". Então, eu lia pelo celular. Todo dia um provérbio. Se o dia fosse 04, eu lia o proverbio 4.
E, na Lagoa, olhando para o horizonte, olhando para o céu tão iluminado, eu disse: Meu Deus, se foi por isso, eu peço, por favor me ajude a encontrar a chave do carro, eu juro para o Senhor que assim que chegar em casa eu farei a compra da minha biblia independente do valor que for. Eu não temerei em gastar. Não passará de hoje. Eu irei comprar assim que chegar. Nem vou comer antes. Não vou beber agua, nao farei nada antes de comprar a biblia. Por favor, eu sei que estou passando por isso, pois o Senhor quer que eu compre a Biblia".
Na verdade, eu nao sei se eu sabia se era isso mesmo, mas eu só sabia declarar isso. Com olhos voltados para o céu eu tinha certeza que era a biblia que ele queria que eu comprasse. Nesta altura nao me importava quem passava pela calçada e me via ali enxugando as lagrimas discretamente. Só sei que ao abaixar a minha cabeça secando as lagrimas eu me vi exatamente na frente da minha chave que estava em cima da mureta da Lagoa. Onde eu parei para pedir ajuda a Deus. Não dei nenhum passo. Eu só movi minha cabeça para baixo. Naquele momento eu me emocionei tanto. Não pela chave. Senti muita gratidão. Mas por Deus. Por entender ali que Ele estava me ouvindo. Estava comigo. Estava fazendo a vida acontecer para mim de alguma forma. Entendi que eu só precisava entender, aprender algo e com Ele. Acreditar mais. E seguir firme. Aumentar minha fé.
Eu quase ia me perguntando como a chave estava ali na minha frente e eu... Mas nao perguntei. Eu disse a mim mesma: Eu sei que foi por causa da bíblia. E afirmei ali: Eu vou comprar assim que chegar em casa.
Ao chegar, procurei a biblia que queria, no site que procurava e levei um susto! Naquele dia, na metade do preço com frete grátis! Eu fiquei passada. Fiquei por um tempo com a mao na boa olhando o site, a biblia, o valor com frete grátis e pensando: Meu Deus, o Senhor. O Senhor... Se nao me mostrasse eu nao teria visto no dia de hoje, talvez.
E foi a partir de então que Deus me convidou para ler a biblia, diariamente. Quando meu filho era bebê ele ganhava ao menos uma por ano de um vizinho. Eram tantas que eu até doava. Talvez fosse Deus já me convidado para ler mais. Eu lia com meu filho, uma com ilustrações para crianças. Depois ele passou ler sozinho. Mas eu mesma não criei o hábito diário. O hábito já mudou muita coisa na minha vida.
Sabe, no dia daquele domingo, após ter comprado a biblia com tanta felicidade, eu me senti muito especial e amada por Ele. Por tudo que ele foi me proporcionando mesmo em tempos dificies. Eu só sabia que era Ele, porque eu observei os sinais. Na correria da vida, achamos que tudo é o caos ou sorte. Mas não é. É Ele, presente o tempo todo.




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